A paciência é uma virtude que normalmente dá frutos no futebol. Mas poucas vezes é pretexto para grandes entusiasmos ou combustível para espectáculos memoráveis. Foi neste delicado equilíbrio, nem sempre compreendido pelos adeptos, que o Sporting garantiu o apuramento para os quartos-de-final da Taça UEFA, vencendo o Bolton (1-0). Valeu o golaço de Pereirinha, ao cair do pano, sublime momento de inspiração que resgatou do esquecimento imediato uma das noites europeias mais desinteressantes de que há memória em Alvalade, velho estádio incluído.
Perante um adversário frágil, ainda mais fragilizado pela incontáveis ausências entre os seus habituais titulares, o leão optou pelos serviços mínimos. Foi sóbrio, competente e avarento na forma escolhida para exprimir a óbvia superioridade face a um Bolton de segunda linha. Não foi bonito de ver, foi apenas suficiente. E só quem ignorasse as angústias recentes do leão na Bwin Liga poderia esperar muito mais do que isso.